Me encontro cada vez que olho aquela tua foto velha invadindo e avisando tua chegada no msn. Me perco em cada palavra que leio das tuas escritas.
Não sei o que dizer, nem o que responder, não sei nada. É como se eu ficasse burra de uma hora pra outra. Como se eu tivesse tomado uma poção do esquecimento. Nada mais importa, nem eu mesma.
E a cada conversa faço questão de morrer um pouco.
Morrer é uma piada mal contada e fora de hora. É deixar a lembrança. É olhar para o calendário e ver não apenas uma data, mas aquela data. É lembrar que o cheiro do travesseiro um dia vai acabar porque a velhice vai tirar o perfume da pessoa que dormia ali.
Morrer é sacrificar um dia no ano e pra cada morte um sacrifício. Já morri umas mil vezes desde que te conheci e te matei umas mil vezes também, só ainda não me acostumei com a tua ausência aqui dentro!
E a cada suicídio ou assassinato, eu tento fazer os remendos das nossas mortes com a linha de costura daquele tear. Apenas para que você viva e eu possa te amar só mais um pouquinho. Apenas para que eu viva e possa sentir teu desamor mais um pouquinho.
Eu sempre quis viver ai dentro, mas nunca consegui porque a gente nunca escolhe dentro de quem vai nascer. Eu nunca quis te matar aqui dentro, só te dou uma poção do amor como numa das histórias de Shakespeare.
Lembro-me que não sou Julieta, mas apenas outra qualquer que não teve o direito de amar o amor. Amou a falta dele, mais que tudo, amou tanto que se esqueceu de tentar ser amada.
Lembro-me que tu não és Romeu, apenas outro qualquer que nunca teve por mim um centímetro de amor. Amou a quem te desamou e esqueceu-se de quem te amou.
E assim os corações vão perdendo a linha, perdendo o prumo, e podem de uma hora pra outra mudar de idéia. Ouvi dizer que o homem deixa de viver não apenas quando morre mas também quando deixa de amar...
... Quem sabe a morte o leve, e com ela o número limitado das batidas de um coração que tem prazo de validade!
