Estou num momento que tenho lampejos de frases, de idéias, explosões minúsculas de sentimentos pragmáticos, mas que duram pouco. Não consigo expressá-los, as palavras somem, os textos não saem, as idéias não evoluem. Estou num momento em que a ausência de sentimento constante me prende e me afoga num processo de incompreensão e cansaço de corpo, mente e alma.
Creio estar desconcertada nas palavras, nas idéias e a ausência de sentimentos me persegue dia e noite. Imagine que as 03h da madrugada ainda não tive idéia sobre o que postar. Antes não era assim, meus textos sempre estavam prontos por volta das 02h.
Larguei tudo pela metade, fui tentar dormir em seguida. O sono só chegou pelas 05h da madrugada. Literalmente a frase de uma música do Cazuza: “O mundo inteiro acordar e a gente dormir...” sim, a gente. Eu estava acompanhada por ela, que me alegra e me dá o conforto que preciso quando preciso, a Camii estava comigo. A amiga, a companheira das insanidades, estávamos juntas e felizes depois de quase um ano sem nos vermos.
Foi lindo! Conversamos muito, colocamos a fofoca em dia, ou quase. Até dividimos a mesma idéia, hahahahaha... não posso contar a idéia que compartilhamos.
Quando conheci a Camii, pensei que ela fosse uma chata. Olhei e vi uma patricinha com voz de criança mimada. Ela disse que viu em mim uma chata, uma filhinha de papai metida e com cara de brava. (Pensamento: Porque todos acham que tenho cara de brava? / Deixa pra lá.)
A primeira vez que sentamos juntas para lanchar foi um tédio. Ela pediu pra sentar-se ao meu lado, lembro-me como se fosse agora. Mal trocamos duas frases e foi empatia a primeira vista. Não desgrudamos mais.
Descobri uma amizade sincera e mágica, percebi que a antipatia que eu pensava existir na verdade não existia. Antipatia era um sentimento ausente, distante da gente. O mais engraçado é que toda a nossa estória de vida é muito parecida.
Na época vivíamos amores incompreendidos, descobrimos que nascemos no mesmo mês, aliás, ela faz aniversário apenas 1 dia depois de mim. Também tínhamos um cachorro de nome Freddy e o meu sumiu ano passado assim como o dela. Toda a nossa vida tem uma sincronia incomensurável, difícil de desperceber.
A antipatia primaria deu espaço à uma amizade que têm atravessado os anos. As chatices individuais são facilmente percebidas e superadas. Somos mais que iguais, somos diferentes numa particularidade singular como os pólos. De tão parecidas não somos nem de longe possíveis de sermos comparadas. E eu que pensei que meu sentimento de amizade por ela não ia durar...
Sentimentos que não duram, permanecem por toda uma vida!

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