I Breathing

segunda-feira, maio 16, 2011

Não se pode recuperar o tempo...

Nem sei por onde começar já que fiquei tanto tempo ausente. Desta vez não darei desculpas, foi uma ausência proposital, assim como muitas das atitudes que eu tomo. É claro que não posso dizer que premeditei tudo, nem que fiz ou faço tudo de propósito, mas existe um propósito em tudo o que eu costumo fazer.
Por aqui, nada anda como deveria. Imaginem que entrei em devaneio esses dias. Estive lendo muito esses tempos, e conheci pessoas também. As duas amigas novas do trabalho viviam pegando no meu pé, sugerindo que eu me comportasse um pouco mais como uma guria.
Observei aqui e acolá e realmente percebi o quão minhas atitudes são mais masculinas que a de muitos guris e resolvi deixar aflorar em mim a garotinha escondida, o problema é que ela ficou tanto tempo trancada que agora não sabe com agir.
É estranhamente estranho tudo o que têm acontecido. Tive que assumir o papel de provedora do lar e por isso ou além disso, acabei por me fazer mais madura e com menos ares de dondoca, e agora os garotos dizem ter medo de mim. Bom, pelo menos foi isso que ouvi dia desses de um guri lá da igreja.
Tem dias que acordo de tão bom humor que parece até que comi palhacitos no café da manhã. Outros dias porém parece que jogaram jiló no meu café, de tão amarga que estou. Tá, isso é normal para uma pessoa como eu que é visitada pela maldita TPM 20 dias no mês, mas isso não quer dizer que minha cara de brava deva sair por aí assustando todo mundo, afinal, por trás dessa cara de brava, está a sátira em pessoa.
As amigas sempre falam que ao me conhecer não sabiam quanta brincadeira existia em mim. As vezes nem eu sei. O fato é que ser durona foi a forma que encontrei para não me deixar ser atingida, ou pelo menos fingir que não fui atingida pelas voltas e revoltas do mundo.
Estou ao menos tentando mudar enquanto há tempo. Estou tentando ser menos carrancuda e mais amável, menos desligada e mais detalhista, menos intolerante e mais suportável, ser menos homem e mais mulher. Porque na vida se pode recuperar muitas coisas, menos o tempo perdido!

Cadê seus cachos Laurinha?

Curto, comprido, loiros, ruivos, pretos, com luzes e até apliques... é  fato que toda mulher quer ter o cabelo sedoso, bem cuidado, com uma coloração linda e brilhante e totalmente diferente do que aquele cabelo que nasceu com ela.
Vamos chamar nossa personagem de Laura. (Pensamento: As Lauras que me perdoem...)
Laura tinha complexo daquele seu enrolado que particularmente eu achava maravilhoso. Ela desde criança pedia à mãe para ter o cabelo liso, sonho de nascimento. Não se conformava como a irmã poderia ter um liso que ao escorregar os ombros ondulava-se sem pudor e o seu era desde a raiz um miojo como ela mesma descrevia.
A mãe também partilhava de um liso que se ondulava apenas nas pontas. Lindo, bem cuidado, o qual ela mesma cortava. A irmã por sua vez também tinha dessas, Laura via as duas cortarem seus próprios cabelos lindamente e achou que esse fosse o truque para tê-lo liso.
Numa tarde, ela foi ao banheiro em frente ao espelho, puxou o cabelo de um lado e passou a tesoura. Ao colocá-lo para trás, pôde então perceber a burrada que havia cometido. Seu cabelo que até então estava no comprimento do meio das costas, agora estava com um lado na altura dos ombros, enquanto o outro lado permanecia quase intacto.
A vergonha era imensa! Não contou à mãe. Saiu chorando do banheiro. A mãe ao perceber, pediu à irmã que fizesse o trabalho de igualar as pontas. Agora Laura tinha seus cachos chegando ao ombro, num volume tempestuoso. A irmã deixou de ser seu ídolo, a mãe deixou de ser amiga, o mundo estava contra ela e o cabelo mais ainda.
Tantas químicas quantas foram necessárias ela passou naquele cabelo para tê-lo liso, conseguiu apenas disfarçá-lo num esticado, parecia engomado. A solução era a escovação diária das suas mechas que nunca mais passaram dos ombros.
A tintura também fez parte de seu repertório. Fez luzes, pintou de acaju, foi pro marrom e chegou no chocolate. Atualmente o pretinho básico é seu companheiro. O cabelo lindo de miojo nunca mais voltou. Na cabeça ela leva um esticado de mechas que não são soltas como os lisos da mãe e da irmã, seu cabelo é murcho e sem graça.
É como disse Carpinejar em seu blog: “A dureza já encontra seu auge no início. Nem toda mulher quer ser loira, mas toda mulher precisa ser loira. É um pedágio para encontrar a coloração do sonho... Tingindo de amarelo verão, na ânsia de reproduzir os ares praianos de surfista e aventureira, o máximo que conseguirá é cabelo palha de inverno.
A decepção não tem fundo. São quarenta minutos de expectativa frustrada.
Cereja terminará marrom. Após cinco lavagens, torna-se água suja. O preto azulado — que ninguém avisa — dependeria de licitação da Secretaria de Obras. É, essencialmente, piche. Para tirar, apenas cortando.
Conhecerá a maldição de fadas. A dissolução do castelo. Ao adormecer como Marilyn Monroe e seu fulgurante platinado, acordará como Cicciolina em fim de carreira.”
Agora prova que ele não tem razão!

Que país é esse?

Não vou dar desculpas pela ausência, apenas dizer que este texto é totalmente diferente de tudo o que eu já postei aqui... pois bem, é o que temos para hoje!
A música “Que país é esse?” foi escrita em 1978 por Renato Russo, na época vocalista da banda Legião Urbana. Quando escrita, a música foi rejeitada pelo governo militar, sendo publicada anos mais tarde, em 1987.
Foi uma dura crítica ao governo, e continua sendo nos dias de hoje. Mesmo depois de 30 anos, a letra revela que nada mudou, o país continua na mesmice, ironicamente as pessoas que dizem lutar por um país melhor, ainda esperam pelo sistema, permanecemos no terceiro mundo “onde todos acreditam no futuro da nação.”
De acordo com a música, a constituição não é levada em consideração em nenhum aspecto, os direitos e deveres são desrespeitados além da moral e da ética não existirem.
Também não existia liberdade de expressão como garante a constituição, a repressão militar tratava de oprimir e não permitia acesso à informação.
Já na primeira estrofe, conseguimos identificar o claro motivo do país permanecer estagnado, o chamado “jeitinho brasileiro” que fica subentendido na comparação entre favela e senado, que embora haja uma diferença de nível instrutivo, ninguém faz a menor questão de respeitar a constituição.
Insistentemente, Renato Russo tenta tirar a venda dos olhos do povo quanto a questões étnico-sociais quando aborda o Araguaia, o Mato Grosso, o Nordeste, na verdade ele queria apontar o roubo das terras dos índios, a migração, a desapropriação de terra dos índios e negros dando lugar ao plantio da cana-de-açúcar, e é quando surge o movimento sem terra.
Ao afirmar que o Brasil vai ficar rico, ele questiona a venda da mão de obra barata para as multinacionais, a venda da própria terra para os estrangeiros, a venda da cultura por um país norte americanizado.
A velha constituição de 1945, as velhas formas de governar, a falta de interesse pelo povo que luta por esse país, a falta de respeito, de moralidade, de tudo o que era para existir se a constituição fosse levada a sério.
Conforme os parágrafos XLI e XLII, que deveriam servir como garantia de segurança, na época, de nada valiam. Nos subparágrafos existe ainda uma falsa garantia de validade da lei vigente que só ocorre para os poderosos “patrões” já que a funcionalidade e os direitos humanos não vigoram para os oprimidos.
E segue a pergunta: Que país é esse?