I Breathing

segunda-feira, maio 16, 2011

Cadê seus cachos Laurinha?

Curto, comprido, loiros, ruivos, pretos, com luzes e até apliques... é  fato que toda mulher quer ter o cabelo sedoso, bem cuidado, com uma coloração linda e brilhante e totalmente diferente do que aquele cabelo que nasceu com ela.
Vamos chamar nossa personagem de Laura. (Pensamento: As Lauras que me perdoem...)
Laura tinha complexo daquele seu enrolado que particularmente eu achava maravilhoso. Ela desde criança pedia à mãe para ter o cabelo liso, sonho de nascimento. Não se conformava como a irmã poderia ter um liso que ao escorregar os ombros ondulava-se sem pudor e o seu era desde a raiz um miojo como ela mesma descrevia.
A mãe também partilhava de um liso que se ondulava apenas nas pontas. Lindo, bem cuidado, o qual ela mesma cortava. A irmã por sua vez também tinha dessas, Laura via as duas cortarem seus próprios cabelos lindamente e achou que esse fosse o truque para tê-lo liso.
Numa tarde, ela foi ao banheiro em frente ao espelho, puxou o cabelo de um lado e passou a tesoura. Ao colocá-lo para trás, pôde então perceber a burrada que havia cometido. Seu cabelo que até então estava no comprimento do meio das costas, agora estava com um lado na altura dos ombros, enquanto o outro lado permanecia quase intacto.
A vergonha era imensa! Não contou à mãe. Saiu chorando do banheiro. A mãe ao perceber, pediu à irmã que fizesse o trabalho de igualar as pontas. Agora Laura tinha seus cachos chegando ao ombro, num volume tempestuoso. A irmã deixou de ser seu ídolo, a mãe deixou de ser amiga, o mundo estava contra ela e o cabelo mais ainda.
Tantas químicas quantas foram necessárias ela passou naquele cabelo para tê-lo liso, conseguiu apenas disfarçá-lo num esticado, parecia engomado. A solução era a escovação diária das suas mechas que nunca mais passaram dos ombros.
A tintura também fez parte de seu repertório. Fez luzes, pintou de acaju, foi pro marrom e chegou no chocolate. Atualmente o pretinho básico é seu companheiro. O cabelo lindo de miojo nunca mais voltou. Na cabeça ela leva um esticado de mechas que não são soltas como os lisos da mãe e da irmã, seu cabelo é murcho e sem graça.
É como disse Carpinejar em seu blog: “A dureza já encontra seu auge no início. Nem toda mulher quer ser loira, mas toda mulher precisa ser loira. É um pedágio para encontrar a coloração do sonho... Tingindo de amarelo verão, na ânsia de reproduzir os ares praianos de surfista e aventureira, o máximo que conseguirá é cabelo palha de inverno.
A decepção não tem fundo. São quarenta minutos de expectativa frustrada.
Cereja terminará marrom. Após cinco lavagens, torna-se água suja. O preto azulado — que ninguém avisa — dependeria de licitação da Secretaria de Obras. É, essencialmente, piche. Para tirar, apenas cortando.
Conhecerá a maldição de fadas. A dissolução do castelo. Ao adormecer como Marilyn Monroe e seu fulgurante platinado, acordará como Cicciolina em fim de carreira.”
Agora prova que ele não tem razão!

Nenhum comentário: