O destino nos prega muitas peças, construtor de tudo o que ocorre nas nossas vidas ele dá um jeito de arrumar e desarrumar tudo, mas só quando quer!
Certo dia estava eu lá, quietinha, olhando para o nada e pensando em nada quando resolvi dar uma olhadinha na rede, só pra ver se tinha algo novo. Dei de cara com aquela foto velha me olhando, e digo mais, de tão velha, só não tinha teia de aranhas porque a rede é virtual.
Sem mais, o passado veio me cutucar.
Primeiro de um lado, me colocando um nariz vermelho, chegou o maior gozador de todos os tempos, tentando estabelecer contato outra vez. Depois o outro, me calçando os sapatões e pensando que eu vou ser fácil dessa vez, ultrapassando a barreira da sanidade e da falta de vergonha na cara já que conheço a namorada dele. O terceiro trouxe o macacão da própria esposa, ele realmente não sabe com quem está lidando.
Acredito que nenhum deles saiba, caso contrário, já teriam me deixado em paz há muito tempo, não me presto ao papel da outra!
Bom, a peruca veio a galope com o quarto, este por sua vez, achou que seria cômodo manter a amiga colorida ao meu lado. Acho que este é o único que se safa, eu na verdade fui buscar a peruca em mãos. Bem colorida, linda como eu nunca pensei, objeto de desejo de qualquer um na minha situação.
A maquilagem é por minha conta... eu sempre faço esse papel!
No picadeiro da vida, comecei meu show mais uma vez. Pulando de um lado a outro, fazendo o que eu sei fazer bem, o papel da palhaça. Criando situações que buscam a risada no íntimo alheio, atuei sem grande dificuldade, fiz o melhor que pude e ainda ganhei pipocas na cara por não ser aquilo que o público esperava... antes fosse algodão doce!
Precisei fingir que nada daquilo me importava e minhas lágrimas caíram quando a cortina baixou, nem eu sabia, mas era a melhor de todas as palhaças deste picadeiro no meu gran finale.
Atrás do palco, alguém me esperava. Enxugou minhas lágrimas, tirou minha maquiagem, me ajudou trocar de roupa, amarrou meu velho All Star e pediu-me em troca apenas dedicação. Segurou na minha mão e começou a caminhar comigo, me ensinando uma nova profissão, agora faço equilibrismo.
Tento todos os dias caminhar mais longe, eu ainda desequilibro às vezes nessa linha tênue que de um lado encontra-se razão e de outro é pura emoção. Mas o que me importa é que encontrei uma mão que me ampara todas as vezes que estou para cair, me segura quando penso em desistir e sempre aparece quando eu sinto que estou só.
“Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure!”¹
1- Vinícius de Moraes.

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