Sabe aquele momento em que tudo o que a gente precisa é olhar para dentro? Pois bem, eu estava num momento assim, precisando olhar para dentro e tentar descobrir se ainda restava algo de bom alí naquele espaço que agora parecia estar vazio cheio de teias velhas e sujas.
Foi uma análise estranha e nada superficial, mergulhei bem fundo e enxerguei algo nada bom. Era úmido, vazio, tudo fora do lugar. Havia uma goteira que pingava sangue, um quadro com uma foto velha e rabiscada... uma imagem que já tinha sido rasgada e estava cheia de remendos de durex.
Tudo estava sujo, tudo ao contrário, não havia porta nem janela, não havia ventilação.
Olhei para cima e nada vi, e o chão estava inseguro, e a parede cheia de marcas de feridas... percebi que eram as marcas de todas as dores que vivi e também percebi que se eu não arrumasse logo aquele lugar, ele logo estaria inabitável, tão morto quanto as esperanças que eu havia plantado ali.
Só consegui olhar para cima quando limpei aquele lugar, organizei tudo o que eu tinha guardado lá, ou seja, nada, pois eu joguei tudo fora quando ví que já não podia alimentar tanta mentira, tanta vaidade, tanto falso amor!
Voltei para fora de mim e resolvi voar para lugares desconhecidos onde eu deixei de ser protagonista dos filmes de sessão da tarde, onde as mocinhas choram desesperadamente antes de conseguirem um final feliz. Agora eu queria ser a vilã, daria o melhor de mim por este papel. Só seria ruim me dar mal no final, como se fosse diferente de agora!!!
Há 12 anos

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